Eterno menino do Rio

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Miriam Gimenes

 Marco Archer experimentou um baseado pela primeira vez quando tinha 12 anos. Quem o ‘presenteou’ com o cigarrinho foi Petit, o jovem surfista carioca que inspirou Caetano Veloso a escrever a letra de Menino do Rio. O rapaz cresceu, rodou o mundo e foi terminar seus últimos 12 anos de vida no corredor da morte de uma prisão na Indonésia. O motivo? Tentou passar no aeroporto de Jacarta com 13,5 quilos de cocaína escondidos dentro dos tubos de sua asa delta.

Para conhecer um pouco mais a fundo essa história, basta assistir ao longa Curumim, dirigido por Marcos Prado, produtor de Tropa de Elite. A estreia nacional será no dia 3 de novembro, mas ele está na programação da 40ª Mostra Internacional de Cinema e será apresentado hoje no Espaço Itaú de Cinema (Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569), às 21h30, seguido de debate.

Para compor o filme, foram mais de 70 horas de conversas entre o diretor e Archer gravadas ao telefone, dezenas de cartas e mais de três horas de arquivos com imagens, registradas por ele mesmo com uma câmera escondida, de seu cotidiano de dentro do presídio de segurança máxima.

No documentário é perceptível o arrependimento por ter entrado no mercado das drogas – fala isso diversas vezes –, e que ele pagou, mesmo que inconscientemente, por situações que aconteceram durante a sua infância. Filho de uma família com boa renda, o instrutor de voo livre foi criado por babás após a separação dos pais e viveu, até o último dia, como um eterno ‘menino do Rio’.

Archer foi executado no dia 17 de janeiro de 2015, aos 53 anos, após pedir clemência algumas vezes, sem sucesso. Este foi o primeiro caso de um brasileiro condenado à pena de morte. O filme também será apresentado amanhã, às 18h, no Reserva Cultural 2, e dia 28, às 21h30, no Cinemark do Shopping Cidade São Paulo. Mais informações no site www.mostra.org.

CENÁRIO
No livro recém-lançado Nevando em Bali (Geração Editorial, 368 páginas, R$ 54), a australiana Kathryn Bonella faz revelações chocantes sobre o país, que esconde suas mazelas, inclusive o tráfico, atrás de um cartão-postal maravilhoso para os turistas. Na obra, Archer é um de seus entrevistados.




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