Tribo de Jah segue viva e forte

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Vinicius Castelli

Já são três décadas desde que tudo começou no Maranhão. De lá para cá a Tribo de Jah, uma das mais importantes bandas do reggae do País, já rodou o mundo, soma na bagagem 15 discos, dois DVDs e muito trabalho. Para comemorar a data, o conjunto apresenta novo disco de estúdio, Confissões de um Velho Regueiro (R$ 35, em média), que terá lançamento no dia 21 e poderá ser comprado no site da banda (www.tribodejah.com.br), além de plataformas digitais.
O disco virou uma receita saborosa depois da união de 17 temas inéditos, de ‘temperos’ sonoros e bons arranjos. Isso sem contar na mistura, muito benfeita, por sinal, com outras linguagens ao reggae.
Segundo o cantor Fauzi Beydoun, a banda transita com naturalidade pelos diferentes estilos do roots mais radical (do reggae) com partes faladas nos estilo dos antigos ‘toasters’ jamaicanos, que se aproxima do hip hop atual. Ele conta que o disco “flerta um pouco com o blues, o rock-steady, traz evocações nordestinas com a utilização de uma sanfona típica da região, mas sem nunca perder a sua marca original”.
Confissões de um Velho Regueiro tem sonoridade orgânica, como faziam os medalhões do reggae jamaicano, sem artifícios ou programações eletrônicas. O trabalho começou em São Paulo e seguiu para o Maranhão. “Foi muito importante trazer essa gravação para São Luis pelo fato de haver uma cultura reggae muito arraigada na capital maranhense, e isso sempre acaba influenciando de forma positiva no clima do disco”, conta o artista.
O título do álbum surgiu de experiências pessoais dos artistas, assim como as canções. “A vivência pessoal é fundamental no sentido de ter uma maior clareza quando se fala de questões espirituais, sem ser dogmático ou tendencioso”, diz o cantor. Ele conta que a banda não propaga fé ou religião específica, mas fala da fé como uma experiência pessoal com Deus.
Entre os assuntos abordados no trabalho está o amor, algo que, para ele, está cada vez mais escasso. Eles falam do sentimento como um princípio humanista e, ao mesmo tempo, como um preceito espiritual.
Para Fauzi, diante de humanidade, que lhe parece estar cada vez mais entorpecida, brutalizada ou insensível, surge a tentativa de se enfatizar ainda mais esses valores. “É difícil falar na paz quando se sente uma disposição cada vez mais beligerante por todos os lados. Mas a resistência nessa abordagem parece cada vez mais primordial, e isso vem inevitavelmente de uma convicção pessoal muito arraigada.”
Mas críticas também cabem no trabalho da Tribo, como é o caso de Traidores da Pátria e Farsa de Democracia. Para Fauzi, não há duvidas de que a democracia brasileira é uma farsa, “um sistema corrupto e ineficiente que vem perpetuando a miséria nos guetos por séculos sem uma perspectiva efetiva de melhora. A culpa é de todos nós, brasileiros”.
Feito de forma independente, o disco foi nova experiência ao grupo, que contou com campanha de financiamento coletivo com apoio dos fãs, já que a banda sempre tem que se bancar para produzir seus produtos. Fauzi explica que, talvez por ter sido a primeira experiência da banda com crowdfunding, a campanha não teve o êxito esperado. O valor arrecadado foi de cerca de R$ 38 mil. O disco custou aproximadamente R$ 70 mil, e a diferença foi paga pela banda. “Por outro lado, foi interessante no sentido de causar uma expectativa em relação ao lançamento, acabou servindo como uma ferramenta de marketing que não deixa de ajudar”, explica.
A Tribo de Jah conta também, em momento importante como este, com a participação especial de Pedro Beydoun, filho de Fauzi, que canta quatro temas, sendo que um deles é assinado por ele e outro, ao lado do pai. “Isso nos permite estar juntos e eu fico muito feliz por isso. Não fosse assim só o veria muito raramente. Mas é claro que acredito no seu talento e é isso que me faz apostar nele, porque vejo um futuro artístico promissor para ele, independentemente da presença do pai.” 




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