Presente em forma de leitura

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Miriam Gimenes

 A palavra vício geralmente está associada a algo ruim. Na própria definição do dicionário é descrita como “defeito ou imperfeição grave de pessoa ou coisa”. Mas como em toda regra sempre há uma exceção, nem todo dependente é prejudicado. Quem tem o hábito de ler diariamente, por exemplo, deve ser, no caso, louvado. Afinal, como disse Voltaire, “a leitura engrandece a alma”.

Os apaixonados pela prática tendem a sempre querer mais. E, de olho nesse nicho, clube de assinaturas de livros – adultos e infantis – tem visto os ‘clientes’ crescerem a cada ano. É o caso da TAG – Experiências Literárias. Tomás Susin dos Santos, um dos fundadores da empresa, conta que a ideia surgiu em 2014. “Somos três jovens apaixonados pela leitura. Unimos a vontade de empreender com o hábito de ler. Na época, alguns clubes de assinatura de cervejas e vinhos estavam surgindo, e achamos interessante fazer algo nesse modelo. Lembra um pouco o extinto Círculo do Livro, da década de 1980”, conta.

Todo mês eles convidam alguém que seja referência no cenário cultural para indicar a obra a ser enviada aos 11 mil associados. Já estiveram na lista de curadores Sérgio Rodrigues, Letícia Wierzchowski, Adriana Lisboa, Luis Fernando Verissimo, Heloisa Seixas, Mario Sergio Cortella, Clovis de Barros Filho e, para 2017, está confirmada Martha Medeiros.

O principal feito da TAG é entregar uma experiência diferente de leitura. “Livros que ele não descobriria se não fosse pela TAG, novos estilos de leitura, novos autores. A certeza de receber em casa todos os meses um livro de qualidade, recomendado por quem entende do assunto. Além do livro, é enviado um material para complementar a leitura, com informações valiosas sobre a obra, sobre quem indicou e quem escreveu.” Tudo isso ao custo de R$ 69,90 mensais.

Uma das ‘clientes’ do clube é a diretora técnica da Fundação Criança de São Bernardo, Samara Xavier, 29. Natural de Inajá, sertão de Pernambuco, ela ganhou gosto pela leitura pelos exemplos que teve em casa." Sempre ouvi meu painho lendo cordéis, além de minha tia Lúcia, que é professora e hoje é diretora de escola lá em Inajá, que sempre vi mergulhada em livros e incentivou a mim e minha prima Luciana, sua filha, a lermos. Tive um infância marcada por histórias da vida real e da imaginação, penso que não teria outro caminho além de ser apaixonada pelos livros.”

Assinou a TAG no ano passado e espera, ansiosamente, pela chegada do pacote mensal. “A assinatura é uma das melhores coisas que fiz como leitora. É uma delícia esperar a caixinha chegar. Inclusive tenho uma amiga jovem que sofreu um AVC e uma das alternativas, pensando como ajudá-la, foi presenteá-la com a assinatura. Todo mês é um motivo a mais para falar com ela. É mágico.”

O presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro) Luís Antonio Torelli, diz ter apreço pelo trabalho dos clubes de assinatura infantil e adulto. “Tanto por formarem novos leitores quanto por irem até eles. Esses clubes, como as feiras de livros, são muito importantes para um País com tão poucos praticantes deste hábito.” Neste tipo de vício, quanto mais, melhor.




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