Veneza, o labirinto da beleza

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Janine Abrão

Há algo sobre Veneza que todos os turistas concordam: a ilha é um labirinto e não há nada melhor – nem mais charmoso – do que se perder em suas vielas, cantos, canais e pontes. Não existem esquina errada, direção contrária ou tempo perdido quando se passeia em Veneza. Lá, cada centímetro é um deleite aos olhos e uma viagem na história em um dos lugares mais peculiares do planeta. Situada no Nordeste da Itália, Veneza foi construída sobre um arquipélago de 117 pequenas ilhas. Naquele lugar não existem estradas para carros, apenas 117 canais e 409 pontes, que conectam a intrincada estrutura da cidade. Para se locomover só mesmo de barco ou a pé.


                                                                                                                                                               Fotos: Thinkstock

O acesso a Veneza do aeroporto Marco Polo pode ser feito de vaporetto (ônibus aquático) por 15 euros (27 euros ida e volta) e demora em torno de uma hora ou, o mais barato, de ônibus por meio da única ponte que liga a ilha ao continente, que custa oito euros (15 ida e volta) e dura 20 minutos. A escolha do meio de transporte depende muito de onde seu hotel está localizado. Se não estiver ao lado da estação de ônibus não adianta escolher essa opção, porque isso significa que você vai ter que se arriscar a ir a pé, carregando suas malas e se perder no labirinto que é a cidade antes mesmo de poder se situar no seu hotel. Há ainda a opção de combinar o bilhete de ônibus com um de vaporetto por mais 7,50 euros. A melhor dica é pesquisar qual a estação, seja de barco ou ônibus, mais próxima do seu hotel e então decidir o transporte. Para quem tem um orçamento mais alto, ainda existem as confortáveis opções de barco compartilhado ou táxi aquático, custando de 32 a 110 euros.

Se hospedar em Veneza exige certa pesquisa. A cidade é dividida em seis bairros, os chamados sestieri, e cada um deles tem características e vantagens diferentes. Começando pelo Cannaregio e Santa Croce, ambos ficam próximos ao terminal ferroviário Santa Lúcia e à Piazzale Roma, onde chegam os ônibus. São bairros com menos atrações turísticas, de fácil acesso e preços mais acessíveis. Lá, é possível encontrar mais nativos da ilha e menos turistas. Mais afastado da ‘muvuca’ e dos outros bairros fica Castello, com parques e tranquilidade, mas esteja preparado para longas caminhadas. Dorsoduro fica ao Sul da ilha e oferece arquitetura surpreendente e encantadora, com galerias e museus para os mais aficionados em arte. É lá que fica a Ponte dell’Accademia, umas das quatro que cruzam o grande canal, e uma das melhores vistas para tirar fotos.

San Polo se localiza na parte central da ilha e tem fervilhantes vidas diurna e noturna. É a parte mais popular e que fica sempre lotada de turistas perambulando em seu mercado de rua, também oferece opções de hotéis a preços acessíveis. San Marco é o bairro mais famoso e que concentra todas as principais atrações da ilha, por isso, claro, comer, beber e se hospedar por ali costumam pesar mais no bolso dos turistas. As opções mais baratas de hospedagem estão no continente ou nas ilhas vizinhas, mas, via de regra, a experiência de se hospedar em um dos clássicos hotéis de Veneza é parte fundamental da viagem.

Depois de chegar, encontrar o hotel e se instalar é hora de começar a desbravar. A Praça São Marco é um dos pontos turísticos principais de Veneza. Lá estão a fabulosa Basílica de São Marco e o Campanário de 50 metros com uma vista panorâmica incrível de toda a ilha. Pule cedo da cama, evite filas e visite esses dois monumentos históricos maravilhosos. Depois aproveite a praça que, em si, já é uma obra de arte, visitada diariamente por milhares de turistas e pombos muito fotogênicos. Logo ao lado está o Palácio do Dodge, outro marco turístico obrigatório, que era a residência do governante de Veneza. Ao seu lado fica a tocante Ponte dos Suspiros, que, segundo a lenda, ganhou esse nome pelos suspiros que os prisioneiros davam ali ao ver pela última vez a liberdade do mundo lá fora.

A Ponte do Rialto é a mais bonita e antiga de Veneza, foi a primeira ponte a ligar os dois lados do Grande Canal. Pela grande movimentação ao seu redor, rapidamente virou o ponto onde o mercado da cidade começava. Atualmente pode-se visitar as inúmeras lojinhas instaladas ao longo da ponte, com diversos souvenirs típicos de Veneza. O Mercado do Rialto se estende além da ponte, chegando ao bairro de San Polo, onde ficam mais souvenirs, além de frutas, comidas típicas e iguarias frescas do mar.

Após ticar da sua lista os pontos turísticos principais, a melhor coisa a fazer é deixar o mapa de lado, relaxar e se perder. A grande experiência de Veneza é se embrenhar em seu labirinto de canais, ruelas e pontes, não sabendo que surpresa vai encontrar ao virar a próxima esquina. Cada canto da cidade é para ser vivido como um verdadeiro veneziano, sem itinerários e sem preocupações. Se permita tomar um café em uma pequena cafeteria do Canarregio, após andar por horas contemplando a arquitetura elegantemente decadente do lugar ou perca alguns minutos para saborear uma taça de vinho se deliciando com a música dos artistas de rua em alguma das muitas praças aleatórias da cidade. Se divirta observando a população local e como sua rotina diária pode ser encantadora.

Tire um dia para fazer o passeio de barco (vaporetto) pelo Grande Canal, que seria a rua principal da cidade. A companhia de transportes local, a Alillaguna, oferece passes de 24 a 72 horas, que possibilitam embarcar e desembarcar dos vaporettos quantas vezes quiser durante a validade do tíquete. Um bom uso é comprar o passe de 24 horas por 20 euros e visitar as ilhas vizinhas Murano, famosa pelas esculturas de vidros, e Lido, que hospeda a Bienal de Veneza e é litoral. Outra experiência que deve ser vivida em Veneza é o passeio de gondola com serenata pelos canais, pelo preço médio de 80 euros, que pode ser dividido em até quatro pessoas.

O bom de toda essa andança pela cidade é que abre o apetite. E não tem lugar melhor no mundo para estar com fome do que na Itália. Não deixe de experimentar as famosas massas e pizzas italianas e também os frescos frutos do mar disponíveis na região.




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