As calmas rimas de Bragança

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Marcela Munhoz

Está para nascer um ser que consiga decifrar o que se passa na cabeça e no coração dos poetas. Os versos fluem tão livremente que escapam do controle de quem os escreve, inclusive. Absolutamente tudo pode inspirar. Porém, quando ele se depara com sentimentos provocados por uma pessoa, lembrança ou, até mesmo, lugar, fica fácil agrupar palavras belas em versos. Não à toa que Bragança Paulista, localizada a pouco menos de 80 quilômetros de Santo André (cerca de uma hora e meia), ostenta o título de Cidade Poesia. E não precisa nem ser discípulo de Clarice Lispector ou Carlos Drummond de Andrade para logo perceber o motivo: o destino é regido pela harmonia entre a urbanização e a natureza que a cerca, com destaque para sete colinas. Tirando os exageros perdoáveis dos artistas, a estância climática de Bragança Paulista pode, sim, ser boa opção para passar o fim de semana.

Um sítio arqueológico, duas estações de trem de antiga estrada de ferro, enorme represa, diversos parques, museus, uma dezena de igrejas, estrutura para esportes radicais e, claro, a cachaça e linguiça bragantinas figuram a lista local de atrativos. “Além de possuir esses diferenciais, tem fácil acesso e é ponto estratégico para visitar cidades menores do Circuito Entre Serras e Águas”, ressalta Ivan Montanari, Secretário Municipal de Cultura e Turismo da cidade. Vale destacar também que Bragança tem o charme e a tranquilidade típicos do Interior mas, ao mesmo tempo, oferece agitação, especialmente, noturna, com menu recheado de bares e restaurantes. Para tanto, não deixe de conhecer o bairro da Serrinha.

Contudo, se o desejo é se isolar do mundo, basta se hospedar nos vários hotéis mais afastados do Centro. As estradas esburacadas são das poucas coisas que depõe contra o destino, mas quem transforma a adversidade em um motivo a mais para se aventurar, pode aproveitar os obstáculos para roteiro off-road, algo comum por lá. “Na zona rural, vale a pena dedicar tempo para os passeios na região do Guaripocaba e no Leitesol, para trilhas à pé ou de bicicleta, além da visita a propriedades rurais”, conta Montanari.

Com mais de 850 nascentes, Bragança está localizada na região hidrográfica Sistema Cantareira. A estrela é a represa Jaguary-Jacareí. Boa dica é conhecer as marinas, onde é possível alugar lancha, fazer passeios de barco e esportes aquáticos. Ainda falando em água, reserve um fim de tarde para visitar o Lago do Taboão, cartão-postal da cidade. Oportunidade perfeita para entender, finalmente, de onde vem a tal inspiração dos poetas.

 

Andança pelo Centro é garantia de boas histórias para ouvir e registrar


Antes de listar o que fazer no charmoso Centro de Bragança Paulista, abro aspas para um ponto que agrada os amantes do futebol. Programe-se para visitar o Estádio do Clube Atlético Bragantino, o Nabizão. O time, apelidado de Massa Bruta e que atualmente está na série B do Brasileirão, foi fundado em 1928 e ostenta um leão como mascote. Não tem um que não queira tirar uma selfie com a estátua em madeira enorme do animal que enfeita a porta do estádio. Prepare-se também para conhecer algumas igrejas. Aliás, em cada uma das sete colinas que cercam Bragança há uma construção católica, colocando a cidade na rota do Turismo Religioso. A Madre Paulina, canonizada em 2002 pelo Papa João Paulo II, morou na região entre 1909 e 1918, na Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.

 

Agora sim, no Centro Histórico, visite o Mercado Municipal, cuja atração principal é assistir ao processo de ‘encher linguiça’ (sem trocadilhos). Aproveite a chance para carregar a sacola de feira com muitas delas, temperadas e recheadas de diferentes formas. Ali na região, também dá para conhecer o Museu Municipal Oswaldo Russomano, que reúne peças desde o início da colônia. Sua sede é a antiga residência do coronel Afonso Olegário e Dona Maria Salomé. Pertinho, fica o Museu do Telefone. Fundado em 1976, tem acervo montado com peças doadas pela Fundação Telefônica. Ambos abrem de terça a domingo e têm entradas gratuitas.

Quem curte observar a arquitetura dos lugares, vai se encantar com algumas construções de Bragança herdadas do período do Ciclo do Ouro Negro. Grandes Barões do Café levantaram seus solares e casarões, especialmente, no Centro. Um exemplo é o Teatro Carlos Gomes, construído entre 1892 e 1894 em estilo neoclássico.

A jornalista viajou a convite da Albrag (Associação dos Produtores de Linguiça), Fazenda Coronel Jacinto e Marina Confiança
 




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