Jericoacoara, paraíso na Terra

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Miriam Gimenes

O arquiteto Artur Gimenes, 31 anos, e a bióloga Cinthia Zanini, 30, foram no mês passado para Jericoacoara, Ceará, e compartilham a experiência que, segundo disseram, foi única. Confira o depoimento de Artur abaixo:

“Um sonho que não podíamos ter apenas dormindo. Jericoacoara não se visita, se experimenta. Pude conferir isso in loco quando eu e minha namorada conseguimos realizar esse objetivo antigo, fazendo tão esperada viagem. Partimos de São Paulo e naturalmente o primeiro estágio foi Fortaleza, onde ficamos a primeira noite. No dia seguinte já partimos de ônibus para a vila, cujo translado já havia sido adquirido no pacote que fechamos. O primeiro trajeto é pela estrada até município no qual o parque está inserido: Jijoca de Jericoacoara. Paramos em um posto de transição para aguardar o veículo apropriado para entrar na área turística que fica no parque. Pode-se fazer o trajeto em veículo com tração nas quatro rodas, bugue ou o ‘pau de arara’, Ficamos com a última opção.

Já tínhamos os passeios no local pré-definidos, pois pesquisamos muito antes de ir. E podemos recomendar com certeza quais são os imperdíveis, para quem quer dizer que conheceu bem a região: ir à Pedra Furada, cartão-postal da cidade; fazer o passeio Oeste rumo à Lagoa de Tatajuba; outro Leste para a Lagoa do Paraíso; visitar nos fins de tarde a duna do pôr do sol e, à noite, aproveitar a charmosa vila.

Logo na chegada não perdemos tempo e pegamos a trilha da Pedra Furada guiada por um nativo local a um custo de R$ 3 – sim, é só isso mesmo – saindo todos os dias, às 16h15, da avenida principal da vila. E tivemos sorte: o mês de agosto propicia o incrível momento cujo Sol se põe no vão da pedra. No dia seguinte, partimos para o passeio rumo ao lado Oeste do parque, para conhecer as lagoas de Tatajuba. O caminho, feito de bugue é impressionante. Conhecemos as dunas, um rio de água salgada, onde se reproduzem os cavalos-marinhos, e a praia onde existe um mangue seco. Paramos para fazer o ski-bunda, em uma lagoa feita pela água da chuva, até chegar à lagoa grande, onde é possível deitar nas redes e comer no restaurante, ambos dentro da água. Lindo e recomendado.

Na volta à vila fomos à chamada Duna do Pôr do Sol, localizada na praia da vila, uma obra do vento que esculpiu a areia e criou mirante natural em local privilegiado. É lá onde dá para ver o sol ‘encontrar’ o mar todos os dias por volta das 17h50. Cerca de uma hora antes todos os presentes vão para lá em forma de procissão para, simplesmente, sentar e aguardar esse incrível momento. Recomendamos ir todos os dias, pois em cada um o espetáculo é diferente.

Não esqueça, no entanto, de se proteger, pois o vento e a areia são muito fortes. Fizemos também o segundo passeio mais aguardado, rumo ao lado Leste do parque. Passamos por enormes dunas no trajeto, das quais podemos parar, subir e ter um visual incrível dessa arquitetura natural.

Seguimos até chegar à Lagoa do Paraíso. Não é difícil de explicar o nome para quem a vê. Munida de uma grande estrutura, que enaltece toda beleza natural e gera, sem dúvidas, a sensação mais impressionante até então. Quando você lembrar daquelas fotos com as redes dentro da água é nesta lagoa que você está pensando. Outro ponto importante a ser citado é a noite e a gastronomia locais. Imagine entrar em restaurantes de qualidade com o chão de areia e os garçons descalços assim como você. As luzes das ruas são as dos próprios estabelecimentos decoradas com lâmpadas penduradas, gerando iluminação nas fachadas e na areia. Uma rua principal reúne os restaurantes e bares para todos os gostos e bolsos. Você vai comer muito bem com um valor razoável – cerca de R$ 65 por pessoa, mas dá para gastar menos – e vivenciar algo que em qualquer outro lugar não será possível.

Enfim, daria muito para falar mais sobre esse local, mas confesso ser muito difícil. Dizem que tudo na vida e no mundo não é perfeito, mas Jeri se aproxima do quase. Beleza natural única, habitantes receptivos, sensação de paz, liberdade e positividade, além de andar em contato com a natureza, a lista de atributos é enorme. Mas só vivenciando você poderá dar seu veredicto.

Adianto que sua mente deve estar aberta e atenta aos detalhes, para poder entender a real beleza e mensagem que o local e seu povo transmitem, pois não são explícitos, estão nos grãos de areia que o vento leva todo dia. E termino com a frase que disse, triste e feliz ao mesmo tempo, quando tive de voltar: ‘’Jeri não é um lugar maravilhoso. É uma lição de vida”.




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