Criolo mergulha nas raízes de sua caminhada musical

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Vinícius Castelli

 Poesia, energia, esperança e amor pulsam em suas falas e veias. Criolo é cantor, compositor e rapper. Sua figura, no entanto, transcende o palco, vai além do disco, grita mais alto e contagia. E isso é claro ao assistir à apresentação do artista, cuja trajetória começou a ser formada há anos. Em uma época em que seus shows na periferia de São Paulo e no Centro, na Galeria Olido, não eram tão lotados como os de hoje. Mas o tempo passou, o cantor ‘cresceu’ e o disco de estreia Ainda Há Tempo completa uma década de vida.

E o artista – que faz os discos na raça, de forma independente – mergulha em suas raízes, resgata esse trabalho e regrava o álbum (Oloko Records, R$ 15 o CD e R$ 70 o LP, em média). Segundo ele, a ideia começou com um tour para comemorar o aniversário do disco. Ganhou força e, então, veio o relançamento. Tudo foi ‘passado a limpo’. “Refiz as vozes e, para as batidas, convidamos jovens artistas da cena, produtores, como Papatinho, Nave e Tropkillaz”, diz ao Diário.

Distante ainda do sucesso do álbum Convoque Seu Buda (2014), Criolo criou em Ainda Há Tempo repertório de peso, com canções como Demorô e É o Teste. O rapper lembra bem quando gravou o trabalho de estreia: “Foram dois anos de construção com muitas dificuldades, mas também com muita ajuda”. E agora, rever isso e regravar esse trabalho é um sentimento forte para ele, “pois cada música tem uma história. E acabei voltando ao revisitá-las”, explica.

Mesmo dez anos depois e com um Criolo com leque musical muito mais plural do que no início da carreira, Ainda Há Tempo segue atual e bem representado em faixas como Chuva Ácida, que aponta para o descaso com o meio ambiente e Tô Pra Ver, que coloca o dedo em mazelas como a falta de investimento e cuidado com a Educação, além da inexistência de saneamento básico, uma realidade de muitos ainda.

Na composição É o Teste, ele canta do amor pela mãe e prega a paz. “Sem amor, o solo pode ser fértil, mas nada germina”. O compositor aproveitou para alterar uma palavra na música Vasilhame. “Mudei a palavra traveco para universo, assim que percebi o que realmente significa e o porquê de sua criação. Já canto diferente essa parte da música há quase quatro anos e não perdi a oportunidade de rever tudo quando gravei novamente.”

As versões de Ainda Há Tempo, apesar de terem as mesmas letras, são diferentes. Primeiro por conta do contexto das condições em que cada uma foi produzida e também por se tratar de um Criolo hoje com uma bagagem de vida e musical muito mais ampla. Se for para ele escolher entre uma delas, o artista avisa que é impossível. “Cada uma é de uma fase e traz coisas diferentes, mas muito importantes para mim”, reflete o rapper.

Após o lançamento original de Ainda Há Tempo, Criolo ousou. Hoje, além do público que conquistou, que ultrapassa qualquer barreira de rótulo musical, ele tem entre seus admiradores nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque, Ney Matogrosso, Gal Costa e Ivete Sangalo.

Seus últimos dois discos, Nó na Orelha e Convoque Seu Buda, além do rap, caminharam pelo experimentalismo, com pitadas de samba e outros ritmos. Ele até chegou a usar banda no palco. “O rap sugere e admira uma pesquisa com música e com literatura, que o faz ser a cada dia mais rico.” E para quem o conheceu recentemente, plural, com esse lançamento, o compositor acredita que é oportunidade de apresentar qual sua base na música: “Meu primeiro acolhimento e que abriu caminho para viver outras tantas coisa.




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